Queda de cabelo: mais comum do que se imagina
A queda de cabelo, chamada tecnicamente de alopecia, é uma das queixas mais frequentes no consultório de dermatologia, afetando milhões de pessoas. A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, existem tratamentos eficazes, desde que o diagnóstico seja feito corretamente e o acompanhamento comece o mais cedo possível.
Principais tipos de queda de cabelo
Os tipos mais comuns são:
- Alopecia androgenética (calvície): o tipo mais comum, com forte componente genético e hormonal. A testosterona é convertida em DHT, que faz os fios afinarem e encurtarem (miniaturização). Nos homens começa pelas entradas e pelo topo; nas mulheres é um afinamento difuso na região central, geralmente preservando a linha frontal.
- Eflúvio telógeno: a causa mais comum de queda difusa. Um estresse físico ou emocional intenso (cirurgia, infecção, parto, dietas restritivas) faz muitos fios entrarem em repouso; a queda aparece 2 a 4 meses depois e costuma se resolver em 6 a 9 meses quando a causa é corrigida.
- Alopecia areata: uma doença autoimune em que o corpo ataca os próprios folículos, causando falhas arredondadas (as "peladas"). Pode ter remissão espontânea, mas também recorrer, e se associa a outras condições autoimunes.
Fatores que contribuem para a queda
Vários fatores podem desencadear ou agravar a queda:
- Hormônios: além da DHT, distúrbios da tireoide, a síndrome dos ovários policísticos e as mudanças do pós-parto e da menopausa podem influenciar.
- Deficiências nutricionais: falta de ferro, vitamina D, zinco e vitaminas do complexo B se associa a diferentes formas de queda. A deficiência de ferro é a mais comum e pode agravar o quadro, por isso a investigação laboratorial faz parte da avaliação.
- Estresse: é um dos principais gatilhos do eflúvio telógeno; situações intensas podem desencadear uma queda importante semanas a meses depois.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa por uma consulta detalhada (início e evolução da queda, padrão, histórico familiar, medicamentos, alimentação, estresse e doenças associadas). O exame do couro cabeludo é fundamental:
- Tricoscopia: exame com aparelho de aumento que mostra detalhes dos fios e do couro cabeludo não visíveis a olho nu, ajudando a diferenciar os tipos de alopecia.
- Exames laboratoriais: podem investigar causas sistêmicas (ferritina, ferro, tireoide, vitamina D, zinco, perfil hormonal).
- Biópsia do couro cabeludo: em casos selecionados, especialmente quando há suspeita de alopecia cicatricial.
Opções de tratamento
O tratamento é individualizado e depende do tipo de alopecia, da causa e da gravidade. As principais opções incluem:
- Minoxidil (tópico ou oral): primeira linha para a alopecia androgenética, em homens e mulheres. Prolonga a fase de crescimento do fio. Precisa de uso contínuo: se interrompido, os fios ganhos tendem a se perder. O minoxidil oral em baixa dose é uma alternativa cada vez mais usada.
- Finasterida: medicamento oral que bloqueia a conversão de testosterona em DHT, aprovado para a calvície masculina; após 5 anos, a maioria dos homens tratados tem aumento do crescimento capilar. É contraindicada para mulheres em idade fértil.
- Outros tópicos e orais: espironolactona (em mulheres), corticoides na lesão ou tópicos e inibidores de JAK (baricitinibe) para a alopecia areata.
- Microagulhamento: microperfurações no couro cabeludo que estimulam fatores de crescimento e a penetração do minoxidil; combinado com minoxidil, é superior ao minoxidil isolado.
- Intradermoterapia capilar e PRP: microinjeções no couro cabeludo. No PRP (plasma rico em plaquetas), o próprio sangue é processado para concentrar plaquetas e fatores de crescimento; pode aumentar a densidade e a espessura dos fios, com efeitos colaterais mínimos.
Por que investigar a causa e tratar cedo?
A queda de cabelo pode ser um sintoma de condições além do couro cabeludo, como doenças da tireoide, anemia por falta de ferro e distúrbios hormonais. Tratar só o sintoma, sem investigar a causa, pode significar perder a chance de diagnosticar uma doença de base. Além disso, cada tipo de alopecia exige um tratamento diferente, e um diagnóstico incorreto leva ao uso de medicamentos inadequados e à frustração.
Tratar cedo faz muita diferença: na alopecia androgenética, quanto antes se começa, maior a chance de preservar os folículos ainda ativos, pois folículos inativos por muito tempo podem parar de responder. Nas alopecias cicatriciais, o diagnóstico precoce é ainda mais crítico, porque a perda pode se tornar permanente. Não espere a queda avançar para procurar ajuda.
O papel do dermatologista
O dermatologista é o especialista mais capacitado para diagnosticar e tratar a queda de cabelo. Com a tricoscopia, exames direcionados e, quando necessário, a biópsia, chega-se a um diagnóstico preciso e a um plano personalizado. O acompanhamento regular permite monitorar a resposta, ajustar o tratamento e identificar recidivas.
A queda de cabelo também pode afetar bastante a autoestima e a qualidade de vida, com associação a ansiedade e sintomas depressivos, e o dermatologista pode orientar o melhor cuidado. Quanto antes o tratamento começar, melhores serão os resultados.
